Quando o assunto é Nicki Minaj e seu segundo cd, “Pink Friday: Roman Reloaded“, as pessoas tem opiniões bem conflitantes, tem quem adora a parte Hip-hop do disco, quem gosta da parte pop, quem gosta das duas e tem quem não gosta de nenhuma, então falar desse cd é sempre trazer muitas opiniões e debates à tona, mas a gente não tem problema com isso, tem?
Como poucas pessoas na indústria, Nicki Minaj tem um objetivo claro, um foco bem determinado, quer ser mais do que uma rapper, quer se transformar no que chamam de uma “mogul“, uma poderosa entidade da música como Jay-Z, Li’l Wayne ou Diddy, que mesmo não lançando cds são muito bem remunerados, isso por construirem verdadeiros impérios com licenciamentos, gravadoras próprias, contratos publicitários, turnês e muito mais. É aí que Onika Maraj quer chegar, e ela quer ser a primeira mulher do rap, só que para isso ela precisa aumentar sua audência e é aí que o bicho pega!
Nicki The Ninja começou sua carreira como rapper de ruas e mixtapes, só que para atingir seus objetivos ampliou o mercado se enveredando para o pop, misturando os gêneros e assim conseguindo alcançar (e conquistar) de crianças a senhoras conservadoras brancas americanas com hits como “Super Bass” e “Moment 4 Life”.
Na criação de “Pink Friday: Roman Reloaded”, o que ela fez foi potencializar isso fazendo um cd muito longo, com 19 faixas na versão mais simples e claramente dividido em dois: primeiro a parte hip-hop e depois a parte pop.
Vamos acompanhar como essa divisão foi pensada e executada? Veja aí embaixo:
Depois de alguns teasers Jennifer Lopez finalmente estreou o single “Dance Again”, de sua primeira coletânea a ser lançada ainda nesse semestre. Pela prévia eu já imaginava que ela queria recriar a mágica de “On The Floor”, e ouvindo a versão final, descobri que era bem isso mesmo que ela queria fazer, rs.
A carreira de J-Lo tem sido de altos e baixos em níveis extremos. Primeiro ela teve um SMASH HIT global, um dos maiores destaques de 2011 e um lugar de destaque na bancada do Americal Idol que revitalizou o programa, mas também teve um cd fracassadíssimo e os singles seguintes não fizeram um arranhão nas paradas pelo mundo.
Tentando trazer o sucesso do ano passado de volta, Jenny from the block chamou outra vez RedOne para produzir um dancepop ishperto para as rádios e convocou mais uma vez o Mr. 305, Pitbull, para acompanhá-la no possível hit. Por mais que “On The Floor” seja nitidamente melhor que “Dance Again”, ela conseguiu recriar o espírito do single. As comparações são inevitáveis e nos resta saber se a música irá colar. Eu gostei, é divertida, mas tem horas no refrão que eu acho que parece muito “Dança Kuduro”, haha. Curti, mas não fiquei dominado pelo ritmo Ragatanga com o single.
Gostaram? Eu tenho medo que tenha ficado óbvio demais que ela quis refazer “On The Floor” e as pessoas não comprem a idéia. Igual quando a Beyoncé lançou “Best Thing I Never Had” jurando que ia ser a nova “Irreplaceable” mas não funcionou.
Antes nomenado “Dance, Love and Dance Again”, a faixa ganhou um nome mais curto e data de estreia do vídeo: 05 de abril no Americal Idol.
Finalmente Nicki Minaj lançou o verdadeiro primeiro single do cd “Pink Friday: Roman Reloaded“. Por mais que eu ameeeeee Nicki Minaj, Roman Zolanski e Martha, eu não quero que a rapper suma, e apesar de “Roman’s Revenge”, “Did It On Em” e “Roman Moscow” serem minhas faixas favoritas dela, para sobreviver na indústria é preciso jogar o jogo como as outras popstars jogam, e é aí que entra “Starships”.
Ela pode brincar e mostrar seu lado malucão em “Stupid Hoe”, mas no fim do dia, na hora de tocar nas rádios, Onika Maraj precisa tirar outro “Super Bass” da cartola, bombar, fazer o cruzamento do rap para as rádios pop e continuar sendo relevante, e quem ela chamou para fazer isso? Tremi na base quando descobri que o produtor de “Starships” era REDONE :S Mas o BFF da Lady Gaga conseguiu criar algo que é a cara dela. Tem sim as batidas genéricas dance na progressão, começando meio “Teenage Dream” para mim, mas após o refrão, a virada é INSANA! TOTALMENTE VICIADO JÁ!
“Starships were meant to fly/ Hands up and touch the sky/ Can’t stop ’cause we’re so high/ Let’s do this one more time,” THAT SHIT CRAY!
Isso mesmo Nicki! Pode brincar de Missy Elliott em “Roman Holiday” para nós fãs, mantenha a sua rapper interior satisfeita, mas ataque a massa com “Starships”.
Em uma entrevista para Ryan Seacrest, Nicki falou sobre o GRAMMY, M.I.A. e “Starships”. Nicki Lewinski disse que a produção do GRAMMY que escolheu “Roman Holiday”. Os produtores foram até o estúdio aonde ela tocou algumas músicas para eles que instantaneamente ficaram fascinados com “Roman Holiday” e escolherem a faixa como a participação da rapper no evento. Sobre a M.I.A., Nicki ficou desapontada. Ela não quis julgar Maya, mas disse que nunca faria algo para desrespeitar Madonna, porém entende que a Rainha do Pop desculpou a cantora de “Paper Planes” pelo fato dela mesma também ter construído sua carreira em cima de loucuras e polêmicas:
“My first feeling was disappointment, only because of my respect for Madonna. I’m a cuckoo lady too, but I would never be able to do it off the strength of Madonna. There are fines that go into these things, and I just thought, ‘Oh my God. I hope they don’t penalize Madonna.’ Madonna knows the artist that M.I.A. is and it was her decision to take the risk with all of us. We were kinda all firecrackers and she took that risk. She’s done some crazy things becoming the icon that she is, so I think that’s why she was able to forgive M.I.A. I love M.I.A. and I don’t want to say anything that is the wrong thing, but me personally, I couldn’t see myself doing it, just for the respect for Madonna. I wouldn’t want any backlash to come back on Madonna.”
E encerrando, ela tem a noção de que faixas como “Roman Holiday” são para extravasar mas que tem a hora de ser mais simples e só fazer as pessoas dançarem: The [Grammy] performance was the performance, that was my clear craziness, and now it’s time to make people dance and have fun, and that’s all I want to do.”
Depois de falar sobre a cultura da fama a qualquer custo e do desejo de ser vista e reconhecida simplesmente por se divertir, Lady Gaga volta agora se sentindo mais responsável por fazer diferença no mundo, com outra vontade em seu segundo cd “Born This Way“, lançado essa semana no mundo todo. Ela quer passar a mensagem positiva que o título do disco sugere, de aceitação e confiança, mas acabou sendo um pouco vítima da própria vontade e nós saberemos porque.
Ao contrário do “The Fame” que foi escrito todo em estúdio, a cantora-moto na capa serviria para uma excelente metáfora sobre como “Born This Way” foi montado: na estrada. Escrito principalmente em seu tourbus e após shows, Gaga disse durante meses que estava escrevendo um álbum para entrar pra história, o hino de uma geração, provavelmente embriagada na adrenalina do pós-show, porque dá para ver que “épico” para ela significa grandeza, dominação, energia e excesso, fatores aqui estampados em francês, inglês, espanhol, alemão, em unicórnios, na igreja, no carro, seduzindo homens, mulheres, presidentes com rock, glam-rock, pop, synth-pop, techno, trance, disco, eurodance, Catolicismo, política, profanidades, orgulho gay e UFA cansei!
“Born This Way” está longe de ser o hino de uma geração, até porque eu acho que isso é quase impossível de fazer hoje em dia e explicarei porque. Os excessos aqui produzem bons e maus resultados, e são eles que vamos ver abaixo: