Há algumas semanas comentei por aqui sobre como o “MDNA” da Madonna despencou das paradas americanas, mesmo continuando a vender bem pelo mundo. A situação de cds não melhorou, porém a de ingressos para a turnê, é só alegria!

O novo cd da Madge conseguiu cair 28% essa semana e vai cair para o #29 no hot 200 da Billboard, tirando das prateleiras (digitais e reais) apenas 13.765 cópias. Uma quantidade ínfima para alguém do porte dela mas que não me surpreende pelo fato de que ela não promove mais os cds.

E lembra quando disse na minha resenha sobre o disco que ela não se preocupa mais com as vendas estáveis do álbum pelo fato de que ela tem as turnês para se focar? Não deu outra. É o que eu falo minha gente, essa mulher tá nem aí para quantos discos vende, o negócio é engordar o porquinho em cima dos palcos pelo mundo todo. Rumores dizem que a “MDNA Tour” já arrecadou mais de 250 MILHÕES DE DÓLARES. Ah, e tem um detalhe, em vendas antecipadas, ou seja, a turnê nem começou, ninguém sabe o que vai acontecer e já vendeu isso tudo. Imagina quanto não vai fazer até dezembro? Por aqui a gente continua naquela batalha pelo suado ingresso, mas se você acha que só no Brasil está custando uma fortuna, saiba que lá fora também não está nada barato.

De acordo com o Perez Hilton, novas datas vão ser adicionadas à turnê, provavelmente na Austrália e América do Sul. Eu acredito que no Brasil tenhamos pelo menos mais uma data em São Paulo. No fim é aquilo: mesmo custando uma fortuna, você sabe que vai ser um showzaço!

Hey, hey, hey, heeee-ey, as guey go wild, as guey go wild!!!

PS: Vai ser interessante acompanhar a bitch-fight das estradas, uma vez que Gaga e Madonna entram em turnê na mesma época. Qual será a mais rentável hein? Os show da Germanotta se esgotaram em segundos no Reino Unido! Independente de quem vende mais, o fato é que esse ano temos dois showzaços para conferir!

Com o lançamento de “MDNA” eu entendi que Madonna tinha essencialmente duas premissas em mente, provar que ela continua sendo a rainha e preparar um material interessante para apoiar uma nova turnê proveniente do contrato com a Live Nation. Esses dois pontos resumem para mim o motivo da existência do disco. Agora vamos discutir isso?

Muita coisa mudou desde o lançamento de “Hard Candy” em 2008. Na época ela podia se dar ao luxo de experimentar, e a escolha foi o hip hop de Timbaland. Não rendeu tanto, mas não importava, a turnê compensou. Pouca era a ameaça ao seu trono. Britney ainda estava louca, Rihanna ainda começa a estourar fora dos EUA, Aguilera estava ausente, Katy Perry era novata e Lady Gaga ainda era trollada pela Aguilera. Beyoncé ainda tinha muita ligação com o R&B e Nelly Furtado e Pink nunca seriam cogitadas para o cargo, por mais que sejam grandes sucessos comerciais. 4 anos depois o cenário mudou, as concorrentes ganham cada vez mais espaço e fãs, centenas de milhares deles, estão dispostos a dar a vida por elas, e se Madge quer continuar no topo, tem que mostrar para a concorrência porque está lá.

Em segundo lugar – e isso é o mais grave – o que com certeza contribuiu para que o disco não fosse tão inventivo: o contrato com a Live Nation. A loira embolsou nada menos do que 120 milhões de dólares por 3 cds com a Interscope Records e a turnê com a produtora, o disco tem que ser necessariamente bastante comercial e próprio para uma turnê, sem contar que é o primeiro pela gravadora nova. Com o “Hard Candy” falhando em marcar época, “MDNA” tinha que ser um sucesso, caso contrário o último cd interessante para o grande público seria o “Confessions on a Dancefloor”, porque convenhamos, tirando os fãs da cantora, quem quer ver “4 Minutes” ou “Spanish Lesson” em mais uma turnê dela? E a próxima disgressão não pode ser focada em sucessos do passado.

Para garantir que essas duas “exigências” fossem cumpridas, o que ela fez? Chamou a galera com quem ela já trabalhou e sabe que funciona, William Orbit e os irmãos Benassi. Garantindo que o disco tenha apelo também com a “garotada jovem”, jogou no meio Martin Solveig, M.I.A., Nicki Minaj, Priscila Renea, The Demolition Crew, etc. O problema é que a pressão por resultados gerou um cd divertido, dançante, comercial e que vai ser um ESTOURO ao vivo em estádios e arenas pelo mundo, mas ao mesmo tempo “MDNA” falha em ter profundidade, e para mim faltou verdade, é plastificado demais. Vejamos porque:

(mais…)

Na semana passada Madonna ganhou uma festa surpresa, tudo isso para comemorar seu oitavo cd a estrear no #1 nos EUA, e também para celebrar o sucesso mundial do disco que foi #1 em 54 países durante a pré-venda e com poucas horas de lançado ficou em #1 em quase 50 Itunes Stores pelo mundo, porém no fim do dia a história se repete: ela fracassa em vendas nos EUA, arrasa no mundo e embarca em uma turnê mundial que vai render centenas de milhões de dólares para seus cofres.

Aí você se pergunta, como o “MDNA” pode ter ido mal na terra natal dela com um #1? Com a maior queda na segunda semana de um cd que a Billboard já registrou.

Longe de Madge ser um fracasso, essa vai morrer com a carreira mais bem sucedida na história do pop feminino, mas existe um lugar aonde ela não é mais sensação: o mercado americano. Trabalhar com os produtores do momento, colaborações com cool girls como M.I.A. e Nicki Minaj, uma apresentação épica no Superbowl e uma conta movimentada no Twitter. Todas as estratégias utilizadas para a divulgação americana do “MDNA”, como nos últimos tempos, tentando arrebatar os jovens, garantiram a primeira semana com 359 mil cópias, satisfatório. Então como um cd cai 88% na segunda semana?

Primeiramente, “MDNA” nem estrearia em #1. O topo seria de Lionel Richie e seu “Tuskegee”, que vendeu 199 mil cópias, 20 mil a mais do que as cópias vendidas da Rainha do Pop (179k). Aí vem o grande boost que garantiu mais 185 mil cópias para a garota selvagem: o “MDNA” foi oferecido em conjunto com os ingressos de sua turnê em um kit especial. Na teoria seria ‘compre o cd junto com o ingresso‘, na prática foi ‘pague uma fortuna pelo ingresso da minha turnê, adicione uns trocados e leve o disco junto‘, porque quem deu 200 dólares no disco no ingresso não vai perder a chance de colocar mais uns 7 dólares no carrinho e garantir a cópia digital do álbum.

A tática, totalmente honesta, funcionou para a primeira semana, porém a segunda deverá registrar apenas 46 mil cópias a mais no bolo, uma queda de 88%, a maior da primeira para a segunda semana desde que a Nielsen Soundscan faz a contagem de vendas.

Uma vez que “Girl Gone Wild” foi mais um single dela que não fez nem cócegas no hot 100 e o interesse no disco cai rapidamente, mais uma vez Madonna deve chegar a disco de ouro (500k) mas não passa de 1 milhão nos EUA.

O lado bom é que ela não vai criar uma mísera ruga de preocupação com esse fato, porque em todos os países do mundo tem gente comprando o cd dela, e de grão em grão a galinha enche o bico! Também vem aí mais uma turnê que deve bater recordes de rentabilidade, com um ingresso caríssimo e milhões de fãs em estádios se apertando para vê-la no palco.

 

Dizem que um hit dance só é bom se também funcionar em versão “stripped”, sem todos os beats e camadas de sintetizadores, e se for assim “Love Spent” da Madonna é one hell of a sucess!

Não sei como ou porquê, mas a faixa (que para mim é um dos destaques do “MDNA”) anda circulando por aí em versão acústica, sem todos aqueles synths e bases pesadas, só um violãozinho e violinos. Será que é assim que Madge está pensando em usar a música na turnê? Todo mundo sabe que show da Madonna sem um momento “um banquinho um violão” não é show da Madonna, ela sempre faz isso.

 

Facebook

 

Twitter