Ontem aconteceu o elegante e extravagante Metropolitan Museum of Art Gala, conhecido popularmente como Met Gala, e se você pensa que o Oscar é o lugar para as celebridades investirem na Alta Costura como se não houvesse amanhã, pense de novo…
Na teoria, o evento tem um motivo nobre, mas na prática, como definiu Rihanna em seu Tom Ford, é mais um evento para usar vestidos ousados, ter um bom jantar e se divertir: “I love coming to the Met Ball. It’s a fun event,” said the “Where Have You Been” singer. “You get dressed up, have some nice dinner, and have some entertainment.”
Como aqui é um blog de música, vamos ver o que a galera dos microfones apresentou? Lembrando que no Met Gala não existe gente cafona, só existe gente entediante, rs.
Oi, sou Rihanna e te desprezo. Achei que Rihanna ia chegar em algo louco e ultrajante, mas preferiu fazer a femme fatale no Tom Ford de crocodilo respeitando a regrinha de ouro da Glória Kalil, mostrou em cima esconde embaixo, e vice-versa. Riri Ready to Kill! Bem melhor que ano passado.
A grande estrela a lançar um videoclipe em fevereiro foi Madonna e seu “Give Me All Your Luvin’”, porém na minha opinião, M.I.A., simples featuring na música de Madge, roubou a cena da rainha lançando na mesma semana “Bad Girls”. A música é melhor e o clipe também só não é melhor como até agora é um dos 5 melhores que vi em 2012, é simplesmente sensacional e eu não me canso da direção de Romain Garvas.
Dando continuidade à boa fase musical, sem paranóia de que o Google vai sodomizar o mundo, Maya dá uma prévia de seu segundo single, a acelerada “Come Walk With Me”, que chegou hoje com um vídeo teaser .
A música só aumenta a esperança da boa M.I.A. dos “world sounds” voltando à velha forma: uma batidinha charmosa bem rápida sobre uma base forte com cara de Buraka Som Sistema e que se encaixaria muito bem no “Arular” ou “Kala”.
O single deve ganhar um videoclipe à altura daqui a pouco. Dizem que o próximo cd pode chamar-se “Matangi“, pela descrição colocada no youtube: “COME WALK WITH ME MIA – MATANGI 2012“, e ele deve ser lançado no verão (entre junho e agosto).
M.I.A. se juntou à Madonna em seu cd “MDNA” enxergando uma grande chance de impulsionar sua carreira no fechado mercado americano, mas o tiro saiu pela culatra quando ela mostrou o dedo do meio na performance do Superbowl, isso depois de Madonna dizer que a apresentação dela não teria provocações desnecessárias, alfinetando a performance de Janet Jackson em 2004.
Não só a conservadora audiência americana não curtiu o ato como Madge também, que ficou FULA DA VIDA, e desde então cortou o acesso da rapper/cantora a ela. Há algumas semanas M.I.A. perguntou no Twitter se Madonna tinha Twitter, rs, provavelmente querendo voltar a entrar em contato com a loira.
Agora é esperar e ver se os americanos, ou pelo menos os europeus, vão ignorar o fato e curtir o novo som da “Srilanquesa”.
Com o lançamento de “MDNA” eu entendi que Madonna tinha essencialmente duas premissas em mente, provar que ela continua sendo a rainha e preparar um material interessante para apoiar uma nova turnê proveniente do contrato com a Live Nation. Esses dois pontos resumem para mim o motivo da existência do disco. Agora vamos discutir isso?
Muita coisa mudou desde o lançamento de “Hard Candy” em 2008. Na época ela podia se dar ao luxo de experimentar, e a escolha foi o hip hop de Timbaland. Não rendeu tanto, mas não importava, a turnê compensou. Pouca era a ameaça ao seu trono. Britney ainda estava louca, Rihanna ainda começa a estourar fora dos EUA, Aguilera estava ausente, Katy Perry era novata e Lady Gaga ainda era trollada pela Aguilera. Beyoncé ainda tinha muita ligação com o R&B e Nelly Furtado e Pink nunca seriam cogitadas para o cargo, por mais que sejam grandes sucessos comerciais. 4 anos depois o cenário mudou, as concorrentes ganham cada vez mais espaço e fãs, centenas de milhares deles, estão dispostos a dar a vida por elas, e se Madge quer continuar no topo, tem que mostrar para a concorrência porque está lá.
Em segundo lugar – e isso é o mais grave – o que com certeza contribuiu para que o disco não fosse tão inventivo: o contrato com a Live Nation. A loira embolsou nada menos do que 120 milhões de dólares por 3 cds com a Interscope Records e a turnê com a produtora, o disco tem que ser necessariamente bastante comercial e próprio para uma turnê, sem contar que é o primeiro pela gravadora nova. Com o “Hard Candy” falhando em marcar época, “MDNA” tinha que ser um sucesso, caso contrário o último cd interessante para o grande público seria o “Confessions on a Dancefloor”, porque convenhamos, tirando os fãs da cantora, quem quer ver “4 Minutes” ou “Spanish Lesson” em mais uma turnê dela? E a próxima disgressão não pode ser focada em sucessos do passado.
Para garantir que essas duas “exigências” fossem cumpridas, o que ela fez? Chamou a galera com quem ela já trabalhou e sabe que funciona, William Orbit e os irmãos Benassi. Garantindo que o disco tenha apelo também com a “garotada jovem”, jogou no meio Martin Solveig, M.I.A., Nicki Minaj, Priscila Renea, The Demolition Crew, etc. O problema é que a pressão por resultados gerou um cd divertido, dançante, comercial e que vai ser um ESTOURO ao vivo em estádios e arenas pelo mundo, mas ao mesmo tempo “MDNA” falha em ter profundidade, e para mim faltou verdade, é plastificado demais. Vejamos porque:
Após 3 meses de antecipação, 500 pessoas tiveram 7.5 minutos para montar o palco da tão aguardada performance de retorno da Madonna durante o intervalo do Superbowl XLVI, evento no qual calcula-se que 100 milhões de pessoas no mundo estavam assistindo. Eu nem sou muito fã dela, mas acredito que apresentação melhor, só em 2013.
Sem possibilidade de passagem de som (pelo tempo corrido) Madge mostrou em 12 minutos porque ainda é a Rainha do Pop e deve morrer como tal. Aí você se pergunta: “e daí que não teve passagem de som? Foi playback mesmo“. Concordo, mas há uma diferença em quem faz playback porque vai plantar bananeira, rolar, pular, dar estrela, fazer piruetas, correr para lá e para cá, montando um show digno de se assistir e quem faz playback para mexer só os braços e o cabelo e chamar de performance.
A apresentação teve ainda a participação de LMFAO, Cee Lo Green, Nicki Minaj e M.I.A., mas não vou comentar nada antes do vídeo para não estragar a surpresa de quem não viu ainda.