Quando o assunto é Nicki Minaj e seu segundo cd, “Pink Friday: Roman Reloaded“, as pessoas tem opiniões bem conflitantes, tem quem adora a parte Hip-hop do disco, quem gosta da parte pop, quem gosta das duas e tem quem não gosta de nenhuma, então falar desse cd é sempre trazer muitas opiniões e debates à tona, mas a gente não tem problema com isso, tem?
Como poucas pessoas na indústria, Nicki Minaj tem um objetivo claro, um foco bem determinado, quer ser mais do que uma rapper, quer se transformar no que chamam de uma “mogul“, uma poderosa entidade da música como Jay-Z, Li’l Wayne ou Diddy, que mesmo não lançando cds são muito bem remunerados, isso por construirem verdadeiros impérios com licenciamentos, gravadoras próprias, contratos publicitários, turnês e muito mais. É aí que Onika Maraj quer chegar, e ela quer ser a primeira mulher do rap, só que para isso ela precisa aumentar sua audência e é aí que o bicho pega!

Nicki The Ninja começou sua carreira como rapper de ruas e mixtapes, só que para atingir seus objetivos ampliou o mercado se enveredando para o pop, misturando os gêneros e assim conseguindo alcançar (e conquistar) de crianças a senhoras conservadoras brancas americanas com hits como “Super Bass” e “Moment 4 Life”.
Na criação de “Pink Friday: Roman Reloaded”, o que ela fez foi potencializar isso fazendo um cd muito longo, com 19 faixas na versão mais simples e claramente dividido em dois: primeiro a parte hip-hop e depois a parte pop.
Vamos acompanhar como essa divisão foi pensada e executada? Veja aí embaixo:
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Com o lançamento de “MDNA” eu entendi que Madonna tinha essencialmente duas premissas em mente, provar que ela continua sendo a rainha e preparar um material interessante para apoiar uma nova turnê proveniente do contrato com a Live Nation. Esses dois pontos resumem para mim o motivo da existência do disco. Agora vamos discutir isso?

Muita coisa mudou desde o lançamento de “Hard Candy” em 2008. Na época ela podia se dar ao luxo de experimentar, e a escolha foi o hip hop de Timbaland. Não rendeu tanto, mas não importava, a turnê compensou. Pouca era a ameaça ao seu trono. Britney ainda estava louca, Rihanna ainda começa a estourar fora dos EUA, Aguilera estava ausente, Katy Perry era novata e Lady Gaga ainda era trollada pela Aguilera. Beyoncé ainda tinha muita ligação com o R&B e Nelly Furtado e Pink nunca seriam cogitadas para o cargo, por mais que sejam grandes sucessos comerciais. 4 anos depois o cenário mudou, as concorrentes ganham cada vez mais espaço e fãs, centenas de milhares deles, estão dispostos a dar a vida por elas, e se Madge quer continuar no topo, tem que mostrar para a concorrência porque está lá.
Em segundo lugar – e isso é o mais grave – o que com certeza contribuiu para que o disco não fosse tão inventivo: o contrato com a Live Nation. A loira embolsou nada menos do que 120 milhões de dólares por 3 cds com a Interscope Records e a turnê com a produtora, o disco tem que ser necessariamente bastante comercial e próprio para uma turnê, sem contar que é o primeiro pela gravadora nova. Com o “Hard Candy” falhando em marcar época, “MDNA” tinha que ser um sucesso, caso contrário o último cd interessante para o grande público seria o “Confessions on a Dancefloor”, porque convenhamos, tirando os fãs da cantora, quem quer ver “4 Minutes” ou “Spanish Lesson” em mais uma turnê dela? E a próxima disgressão não pode ser focada em sucessos do passado.
Para garantir que essas duas “exigências” fossem cumpridas, o que ela fez? Chamou a galera com quem ela já trabalhou e sabe que funciona, William Orbit e os irmãos Benassi. Garantindo que o disco tenha apelo também com a “garotada jovem”, jogou no meio Martin Solveig, M.I.A., Nicki Minaj, Priscila Renea, The Demolition Crew, etc. O problema é que a pressão por resultados gerou um cd divertido, dançante, comercial e que vai ser um ESTOURO ao vivo em estádios e arenas pelo mundo, mas ao mesmo tempo “MDNA” falha em ter profundidade, e para mim faltou verdade, é plastificado demais. Vejamos porque:
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Antes que vocês tenham um AVC, aqui estou eu falando da mixtape da Melody Thornton. Depois de algumas colaborações soltas por aí, músicas vazadas e singles isolados é bom ver pela primeira vez Melody lançar uma obra completa, algo substancial que dê para nos basearmos na hora de analisar qual será o caminho de sua carreira solo.
A mixtape “P.O.Y.B.L.” (Pissing On Your Black List) não é sobre ser rebelde, e de acordo com a dona é sobre lutar por si: “Piss On Your Black List has nothing to do with being a rebel or fighting against anything. It has everything to do with fighting for myself. It’s clever with attitude. It’s kind of funny and gets a strong reaction; all things that, at times, describe my art.” Eu não entendi muito bem, mas ok.
Quanto a sonoridade das 10 músicas, achei o resultado bem interessante, é um mix de 60′s / 70′s, soulpop, mas também tem hip hop e pop contemporâneo com baladinhas acústicas.
Das 10 faixas eu só achei 2 desnecessárias. “Crazy Mixed Girl” que é apenas Melody conversando e contando uma história e “Intro”, simplesmente porque é uma introdução. Tem coisa mais chata? Você está ouvindo seu mp3player no shuffle e aparece uma intro? Corta o clima.
“Sweet Vendetta” nunca tinha me atraído, mas no meio das outras faixas com essa pegada retrô como “Smoking Gun” e “The One That Got Away” (que não tem nada a ver com Katy Perry) achei aplausível, rs. “Lipstick & Guilt” é a mais contemporânea, com a base de “No Church In The Wild” do The Throne. A Ex-PCD também utilizou a base de “Wild Horses” (uma das minhas músicas favoritas da vida, originalmente dos Rolling Stones) para “Loving You Better”. O cover de “Bulletproof” da La Roux com Bobby Newberry é interessante, mas chegou meio atrasado né? Ela devia ter incluído um cover de algo mais recente.
As duas últimas músicas são baladinhas que me lembram bastante Christina Aguilera. Em tons baixos, a voz dela fica mais parecida ainda com a da jurada do The Voice. “Someone To Believe” tem violinos querendo criar uma atmosfera épica e tem muito cara de trilha sonora de animação da Disney. “Hitting The Ground Running” é um dos grandes destaques da mixtape, só com piano, violino e um arranjo lindo no vocal de Melody.
Achei o resultado final bem positivo, fiquei até surpreso com a qualidade da mixtape completa, e se ela seguir por essa linha soulpop / retrô acredito que vá resultar em algo bem parecido com o “Sol-Angel & Hardley St. Dreams” da Solange Knowles.
Ouçam abaixo a mixtape da Mel e façam o download do que quiserem, é tudo liberado!
Chega na última semana do ano a minha, a sua, a nossa lista da #dontskipnavy “20 Cds que agitaram 2011“.
Todo ano gosto de frisar aqui no blog que não é uma lista dos “melhores” do ano, mas simplesmente os cds que eu mais ouvi, com toda a personalidade do blog, e ao invés de compilar uma lista pelo termômetro de coolness, porque aí tem as listas da Pitchforck, NME, RollingStone, Billboard e etc, que a gente vê todo mundo repetindo. Aqui no Don’t Skip a lista é pautada pelo coração! Owwnnnn.
Confiram abaixo os 20 cds que mais me marcaram de janeiro a dezembro de 2011, e como sempre, cheio de surpresas!
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