Quem vê Rihanna lançado cd atrás de cd desde 2005, principalmente após o sucesso monstruoso de “LOUD” com uma turnê que durou 1 ano ininterrupto que a fez ir para o hospital alguma vezes por exaustão, imaginava que ela iria parar alguns meses, curtir o Natal em Barbados e começar um disco novo para 2012…NOT.

A jovem recordista de #1′s na Billboard não quer deixar a peteca cair e já emendou seu sexto projeto “Talk That Talk” antes mesmo do anterior terminar. O desejo de ser relevante, de estar presente e de colocar sua música pra fora fizeram com que Rihanna não parasse nem um segundo de nos agraciar com mais e mais hits, o que é uma benção também é uma maldição no seu caso. Ela já é tão conhecida pelos seus sucessos que ainda não emplacou como uma artista de cds, tanto que apesar de 11 #1′s no hot 100, ainda há de chegar o dia que ela terá um cd #1, e mais uma vez com TTT a máxima vai se repetir, os singles lançados durante o ano vão garantir as vendas estáveis do álbum, mas ao mesmo tempo tem gente se perguntando se Rihanna pensa em sair de sua zona de conforto.

Confira abaixo a minha opinião dessa bala de goma pop/hip-hop/R&B/dance que é “Talk That Talk”.

Para começar, o tempo era curto. O sexto cd começou a ser gravado enquanto ela ainda lançava clipes, fazia turnê, divulgava e ia em premiações pelo “Loud”, então Rihanna não quis arriscar e se manteve em casa trabalhando com gente que garantiu que ela fosse quem é hoje: Ester Dean, Stargate, The-Dream, Alex da Kid e dando um pouco de abertura a novos nomes na #RihannaNavy, vieram Hit-Boy, Calvin Harris, No I.D., Bangladesh e o hitsgod Dr. Luke. A produção é diversificada mas a temática é unificada: SEXO, SEXO, SEXO, e de vez em quando umas pitadinhas de amor para não ser vagaba 100%.

Através de “Talk That Talk” eu enxergo a personalidade dela que costuma ficar um pouco distante de seu trabalho, Rihanna está desbocada mesmo, falando o que quer sem ligar para a viabilidade comercial de suas letras, mas como sempre, com a antena ligada sobre a viabilidade sonora para garantir o bom e velho airplay.

A tríade de canções no começo do álbum ficou a cargo dos novos parceiros para dar um frescor aos fãs de sons novos na carreira da dutty gal. Dr. Luke é tão hitmaker não é? Já trabalhou com Deus e o mundo mas com Rihanna ainda não tem um longo histórico, e ganhou a faixa de abertura “You Da One“. Todo cd da Riri tem a “Cota da Ilha”. Não importa a pegada do disco, sempre tem que ter o Island Flavor em algumas faixas, esse pop floreado com reggae, dancehall, reggaeton e ao invés de de fazer o bubblegum pop que ele faz para Ke$ha/Perry, Dr. Luke trouxe a outra linha de produção que eles está se especializando: midtempos popstep. Traduzindo, Luke deu uma leeeeve recicladinha em “Inside Out” da Britney, salpicou o Island Flavor ensolarado e empacotou o segundo single do disco.

You_Da_One.mp3

Continuando a galerinha que chegou para a nova temporada de Malhação dos cds da Rihanna veio o Calvin Harris. O time dela não é bobo e já devia estar de olho no DJ/produtor sueco há um bom tempo. Calvin teve um ano muito bom produzindo ele mesmo, os outros, cantando, e a esmagadora “Bounce” está aí no set de 10 entre 10 djs internacionais. Não foi por acaso que ele ganhou o primeiro single do cd “We Found Love” e “Where Have You Been” que em algum momento também será single. As duas tem tudo o que um bom dance oferece: a letra fácil, o intrumental progressivo e a batida grudenta. As duas serão os maiores sucessos dela nas pistas desde “Don’t Stop The Music”. “We Found Love” já está no #1 do hot 100 há 5 semanas, só com o clipe e uma performance aqui e ali, e o Trance explosivo de “Where Have You Been” é uma bomba-relógio para o sucesso, e o contador já começou a fazer tic tac. Calvin doesn’t do it wrong! A cereja no topo desse Sundae trance: composição de Dr. Luke e Ester Dean (também backing vocal aqui), que tem autoria em 7 músicas no disco.

Talk That Talk” começa a mostrar a veia hip-hop do disco, mas mantendo o tempero de Island Flavor para ficar a cara da morena/loira/ruiva/nãoseimais. A música marca o retorno do duo Jay-Z/Rihanna que aconteceu pela última vez em “Umbrella”. TTT não é tão icônica quanto a música da sombrinha, o maior hit da cantora, aliás nem trás nada de novo, é Stargate produzindo os beats que ele sabe e Ester Dean escrevendo frases provocantes como sempre, mas mesmo assim tem a pregnância de 80% do disco. É impossível ouvir isso no rádio e não começar a cantar. O middle 8 no fim com “what you say now give it to me baby, I want it all give it to me baby” é insaaanooo, é ouvir que my hips don’t lie. Tem sample de “I Got a Story to Tell” do The Notorious B.I.G.

Continuando na vibe urban (lembram que o cd começou com eurodance?) vem “Cockiness (Love It)“, outrora conhecida como “Cockiness (Don’t Skip Love It)”. A música é provavelmente a menosss comercial de todas, mas eu tenho certeza que é uma das favoritas dela (assim como é a minha) e acredito que acabe virando single. Rihanna sempre faz isso, garante a popularidade do disco com os hits e aí a gravadora faz um agrado e dá liberdade para ela lançar um single mesmo sabendo que não tem potencial comercial nenhum, ou vocês acham que se “Loud” tivesse ido mal algum dia “Man Down” seria single? Bangladesh (meu favorito <3) é o tipo de produtor que não se adapta a ninguém, as pessoas que tem que se adaptar a ele. Os tambores pulsantes e o som grave e pesado vem lá de “A Milli”, “Sleazy”, “Diva”, “Video Phone” e aqui estão de novo. A letra começa a putaria pesada do disco, “I want you to be my sex slave”, “I love it when you eat it” e a melhor frase do cd inteiro: “Suck my cockiness / Lick my persuasion”, Ester Dean gênia!

Quando o mundo descobriu que “Birthday Cake” é mesmo só um interlude, todo mundo enlouqueceu, ainda mais com esses synths alucinantes e a letra safada com metáforas do bolo de aniversário, rs. “Come and put your name on it / It’s not even my birthday / but you wanna put the ice on it / I know you wanna bite this / Imma make you my bitch“. É boa demais pra ter só 1:18 de duração. Todos podem ficar calmos porque o produtor The-Dream já disse que vai sair sim uma versão completa por causa da pressão externa, haha. Aleluia!

“I was just talking to Rihanna about that, because she made an interlude. I was like, “Your fans are going to be so mad at you.” As soon as I said that, I got back, and I guess she released a piece of it, and they saw how long it is. Man, they tore me up on Twitter! So I hit her on the phone. I was like, “Yo, your fans, they’re going crazy on me right now” It’s going to turn into a whole song because the fans are ganging up on me, and I don’t want to be murdered by the Rihanna Navy!”

Acompanhei Riri trocando tweets com um fã no Twitter que talvez expliquem a razão de ser um interlúdio. O fulaninho twittou que PRECISAVA da versão completa, que queria mais. Em seguida ela deu um RT nele e comentando dizendo que era isso mesmo “todos querem mais”, dando a idéia de que a música é curtinha exatamente para passar o sentimento de que o cake dela é bom demais pra acabar rapidamente, e quem experimenta sempre quer mais.

O cd começa a dar uma deslizadinha na primeira baladinha, “We All Want Love“. Composta pela Ester e produzida por NO I.D., não é que a música é ruim, mas é a zilhonésima baladinha R&B que a gente já viu ela lançar ao longo de 6 cds, sem por nem tirar, e já vi ela fazendo melhor, como por exemplo em “Drunk On Love“, a próxima. A música já ganha credibilidade indie no primeiro segundo quando todos os hipsters falam: “olhaaaa, ela usou como base “Intro” do The XX“. Eu acho que hoje em dia todo artista mainstream que quer pegar algo emprestado do mundo indie e ganhar uns pontos de coolness “sampleiam” The XX. A Shakira refez “Islands”, o Kanye West usou no “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”, o Drake pegou em “Take Care” e agora Miss Fenty entrou pra lista. A+ pelo esforço de não fazer a milhonésima versão de “Unfaithful / Take a Bow / California King Bed”, mas eu confesso que é difícil ouvir até o fim. Uma gritaria que fazem a Christina Aguilera parecer comportada nas baladinhas dela.

Voltando a animar essa Casa da Mãe Joana musical, Stargate recicla pela trilhonésima vez suas batidinhas para “Rude Boy pt. 2″Roc Me Out“. Outro hip shaker instantâneo com a 0800-GIVE-ME-A-CATCHY-CHORUS Ester Dean. É ouvir e ficar cantando 2 dias “So give it to me like I want it / This is for your, Eyes only / Roc me out, back and forth / Roc me out, on the floor / Give it to me like I need it / You know how to make me feel it / Roc me out, more and more / Roc me out, on the floor“. Menção honrosa para a segunda melhor frase safada do cd: “You’re taking too long to get my head on the ground / And my feet in the clouds”. Acho que tem potencial pra ser single. Quem também esteve envolvido nessa música foram Rob Swire e Gareth McGrillen, da banda de rock australiano Pendullum que agora estão se enveredando para a dance music como Knife Party e estão prestes a estourar com “Antidote” da Swedish House Mafia. Mais um coelho tirado da cartola do #RihannaCamp.

Como o cd começou com novatos, ele também termina com novatos, e um deles é Hit-Boy com a leve e charmosa “Watch N’ Learn“, composta pelo projeto de Ester Dean, Priscilla Renea (“Promise This” / “Who Says” / “California King Bed“). Estourou o orçamento? Chama a parecida! Rs. Hit-Boy é um dos produtores mais promissores da nova safra do R&B/hip-hop para 2012, começou sua carreira em 2007 produzindo album fillers e está trilhando rapidamente seu caminho para o primeiro escalão com singles como “Lay It On Me” da K-Row e “Niggas In Paris” do Jay-Z/Kanye. Assim como sua carreira surpresa, “Watch N’ Learn” é uma boa surpresa. Não é instantânea como “We Found Love” ou “Where Have You Been”, mas pelo menos me conquistou aos poucos com seu tecladinho descompromissado e hoje é uma das favoritas.

Encerrando o disco tem “Complicated pt. 2″Farewell“, a qual não é assim um graaaande desfecho para o curto disco de pouco mais de 35 minutos. É só mais uma baladinha do Alex da Kid que para mim emulou “Already Gone” da Kelly Clarkson, mas não é tão boa.

O encarte de Talk That Talk (Deluxe)

Depois de ouvir o “Talk That Talk” todo a sensação é de que você não ouviu nada de novo, mas ouviu algo pop e muito bom. Pegaram “S&M” e construiram um cd a partir dali. Assim como uma música que nasce a partir do refrão e em volta dele é contruído o resto da música, para mim assim nascem os cds da Rihanna. Escolhem uma mão de 4, 5 hits gigantescos e em volta deles vão nascendo as outras músicas.

Como um ouvinte que vai usar o disco para ir no supermercado, academia ou pra balada no fim de semana, TTT serve como uma luva. É um ótimo companheiro musical que não vai lhe deixar na mão, eu mesmo sempre que estou na dúvida acabo ouvindo-o, é pra cantar junto do começo ao fim, mas um olhar profundo na visão artística de Rihanna evidencia que assim como a maioria das batidas do álbum, a cantora está num ciclo vicioso de se reciclar, seja com Stargate abrindo um arquivo velho no seu computador ou Ester Dean usando o mesmo lápis de sempre.

Enquanto o objetivo for a enxurrada de hits, podemos dizer que ela encontrou a fórmula que funciona para a sua voz e seu estilo. Girl is getting the hiiiits, e “Talk That Talk” ainda vai dar mais uns 3 ou 4, ninguém vai reclamar, porém para quem foi aos shows dela no Brasil vai entender muito bem a sensação que eu tenho, foi hit atrás de hit, um show sem nenhum filler, mas no fim do dia foi um show mole.

Alguma hora ela vai ter que sair da zona de conforto. Seja no cd de 2012 ou no décimo-quinto que deve sair em 2020, uma hora ela vai lembrar que um dia ela já arriscou em “Rated R”, uma experiência madura que desceu amarga. Quem consegue acreditar que um dia ela já conseguiu um single fracassado atrás de outro até Stargate aparecer e salvar o dia com “Rude Boy”? Não precisa ser também uma giro de 180 graus, pode ser assim aos poucos, começando a trabalhar com novos produtores como Calvin Harris.

Don’t Skip: Todas, menos “We All Want Love” e “Farewell”.

 Rihanna – Talk That Talk

01 You Da One
02 Where Have You Been
03 We Found Love (feat. Calvin Harri
04 Talk That Talk (feat. JAY Z)
05 Cockiness (Love It)
06 Birthday Cake
07 We All Want Love
08 Drunk On Love
09 Roc Me Out
10 Watch n’ Learn
11 Farewell
12 We Found Love (feat. Calvin Harris Extended Mix)

 

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