Há 1 mês estamos acompanhando a batalha que Katy Perry trava nas paradas americanas para colocar o single “Last Friday Night” no #1 do hot 100 e assim igualar o recorde histórico de Michael Jackson com 5 #1′s consecutivos de um mesmo cd, feito que ninguém nunca nem chegou perto de conseguir.

Enquanto Michael estabeleceu o recorde em 87-88 com o cd “Bad” e os singles “I Just Can’t Stop Loving You” (ft. Siedah Garrett), “Bad”, “The Way You Make Me Feel”, “Man in the Mirror” e “Dirty Diana” que levaram nove meses e duas semanas pra gerar 5 #1′s e juntos somam 7 semanas no topo, Perry conseguiu o feito com o “Teenage Dream” e os singles “California Gurls”, “Teenage Dream”, “Firework”, “E.T. (Futuristic Love) (ft. Kanye West)” e “Last Friday Night (T.G.I.F.) “, mas gastou 1 ano, 2 meses e 1 semana, apesar de que no geral ganha com 18 semanas no topo.

O Maroon 5 também deve estar comemorando nesse momento se movendo como o Jagger já que  “Moves Like Jagger” decolou para o top 3 exatamente na terceira posição, é nesse momento o single digital mais vendido, enquanto “Party Rock Anthem” caiu para #2. Há quanto tempo eles não tem um hit assim hein Mr. Adam?

“Super Bass” da Nicki Minaj caiu para #4, Bad Meets Evil (Eminem e Da’Royce) continua no #5 com “Lighters” que tem o Bruno Mars, assim como Li’l Wayne também continua no #6 com “How To Love”. Pitbull e Ne-Yo no #7 com “Give Me Everything”, “I Wanna Go” da Britney cai 2 posições pra #9 e “Good Life” do OneRepublic entra fechando o top 10. Pulei propositalmente o #8 para dar os parabéns aos Foster The People que conseguiu um merecido lugar no top 10 com o hit “Pumped Up Kicks” que vem subindo semana a semana há alguns meses já.

Como essa conquista da Katy Perry tem sido muito comentada, eu preparei um artigo enorme abaixo sobre o feito. Katy é a primeira mulher e a segunda artista da história a alcançar o recorde que é sonho de qualquer artista, mas na prática será que é tudo isso mesmo? Vamos analisar em duas partes abaixo:

 

Imagem: Billboard.com

 

PARTE 1Singles ontem e hoje

Sempre quis fazer um texto sobre a dualidade singles x cds, passado e presente, e agora foi a hora certa, até porque sempre me perguntam sobre o assunto, então aqui vai:

Não desmerecendo, mas hoje em dia é muito mais fácil ter um #1 do que antigamente. Artistas que conseguem vender cds são muito mais estáveis do que artistas que conseguem hits. O mercado converge para singles, cada vez vendem-se menos cds e cada vez mais singles são comprados principalmente em formatos digitais como a grande propulsora dos hits: a Itunes Store. Isso é bem negativo, visto que os artistas tendem a produzir mais e mais hits deixando o trabalho como um todo de lado, se importando mesmo com 4 ou 5 músicas no disco. É só pegar o exemplo das popstars, Katy, Rihanna, Britney e Ke$ha que hoje conseguem hits sem pestanejar e Beyoncé que foi duramente criticada por não ter um top 10 precedendo o “4″. Bey deu entrevistas dizendo que estava indo na contramão do mercado focando em cds e não singles e foi isso mesmo que aconteceu, mas ela vendeu na primeira semana mais que todas outras. Quantas vezes vocês viram Madonna ou U2 com hits singles nas tabelas nos últimos 10 anos? Quase nunca, mas são carreiras que nunca vão acabar porque são artistas que vendem cd.

Sempre gosto de tomar como exemplo para reflexo do mercado que migra para singles a própria Britney Spears. Todo mundo sabe que ela reinou no fim dos anos 90/começo dos anos 2000, se ela ainda estivesse no mesmo pique Madonna já teria uma sucessora certa no trono do Pop, mas já viu quantos #1′s ela tem do seu auge, a fase 98-2005? 1. Sim, apenas UM – “Baby One More Time”. contando os singles promocionais foram 10 ANOS DE CARREIRA e 28 singles até ela conseguir outro #1, mas os seus cds sempre venderam que nem água em sua fase áurea, “Baby One More Time…” vendeu 1,3 milhão na primeira semana e “Oops…I Did It Again” vendeu mais de 20 milhões. Já nos singles algumas posições são chocantes: “I’m a Slave 4 U”, uma das músicas mais icônicas teve pico de #27 e “Toxic” mal ficou no top 10 com um #9. Outros picos de uns singles assustam: “Me Against The Music” #35, “Overprotected” #86, “I’m Not A Girl, Not Yet a Woman” #102 e “Don’t Let Me Be The Last to Know” #112. Dos 24 primeiros singles comerciais antes de “Womanizer” em 2008 foram só CINCO top 10. De 2008 pra cá ela teve 3 #1′s e SEIS top 10 de 8 singles lançados em menos de 4 anos. Por outro lado os cds vendem cifras mínimas no mercado atual, “Femme Fatale” não chega nem ao primeiro milhão nos EUA em 2011.

Essa mudança radical no mercado tira um pouco do brilho do feito de Katy Perry, obviamente não desmerece, porque quantas artistas tem carreiras focadas em singles que conseguem esse feito? Só ela. Mas ao mesmo tempo é so para alertar que temos que ser muito cautelosos ao comparar ela com Michael Jackson, e há nuances por trás de números.

PARTE 2 Naturalmente x forçadamente

Michael Jackson conseguiu o recorde sem pestanejar. Simplesmente lançou as músicas, as divulgou e elas chegaram lá. É bem mais do que isso na verdade, teve muito esforço por parte dele, mas Katy Perry movimentou o mundo pra que isso acontecesse. Primeiro o trabalho intenso em redes sociais com o cd, artifício que Michael não tinha, depois o truque mais comum atualmente quando o assunto é hit single: remixes e colaborações. Eles são as novas meninas dos olhos das gravadoras quando o assunto é bombar um single. Só nos 6 primeiros meses do ano a Britney usou, a Rihanna usou e a Katy Perry usou. Veja que não estou falando de um remix ou colaboração que já nasce assim, isso todo mundo sempre fez, estou falando de quando o recurso é usado de última hora pra impulsionar vendas e airplay: “S&M Remix”, “Till The World Ends Remix” e “Last Friday Night Remix”. E tem mais, o remix de “E.T.” tecnicamente nem está no cd “Teenage Dream”, então não deveria ser considerado hit do álbum.

Uma vez que o furacão “Party Rock Anthem” não saia do topo o time de Katy suou pra chegar lá. Foram chats online com a personagem Kathy Beth Terry do clipe, celebridades participando do clipe da música e o golpe final o remix com Missy Elliott, acho que até essa troca de cor de cabelo toda semana foi intencional pra manter o nome dela nos jornais e blogs.

O remix veio sem necessidade, só para as vendas, e quando elas estagnaram (mesmo com o remix) cortaram o preço dele pra 69 centavos de dólar. Mesmo assim ainda não foi suficiente. O que fizeram? Foram lá e cortaram a versão original da música também pra 69 centavos de dólar. Adicione a isso uma campanha pesada na Itunes Store e pronto, finalmente “LAST FRIDAY NIGHT (T.G.I.F.)” é #1 no HOT 100!

Conclusão

Se estivessem competindo em pé de igualdade é fato que Katy nunca teria conseguido igualar o feito, mas tudo muda, o mundo muda, a ber muda e a bicha muda. O cenário atual é esse, e daqui 10 anos ninguém vai ficar lembrando dessas entrelinhas, so vão mencionar a primeira mulher e segunda artista a ter 5 #1′s consecutivos de um mesmo cds. E mesmo hoje ainda é um feito astronômico, só não acho que tem o mesmo peso da época de Michael Jackson.

A CARTADA FINAL a.k.a. THE PLOT TWIST

Agora que vem o rumor quente! Dizem que a gravadora vai lançar MAIS UM single na tentativa de quebrar o recorde de Michael, colocando Katy no topo que provavelmente demorará mais uns 20 anos pra alguém alcançar em singles #1 consecuticos. Dizem que será “Peacock”, uma música polêmica, que quem gosta ama e clama como single e quem não gosta odeia. Eu acho que se essa conquista de 5 #1′s repercutir negativamente como tem repercutido talvez abortem a idéia, ou talvez os olhos dos executivos da Capitol Records estejam brilhando com a possibilidade de 6 #1′s e arrisquem  lançar mais um single, não custa tentar.

Um EP a parte ou relançamento de “Teenage Dream” já foi confirmado por Dr. Luke. Caso venha um relançamento do disco incluirão “E.T. Remix” e talvez daí pode até sair outro #1. Mais uma vez, não é justo considerar um single de um relançamento de cd como sexto #1, mas é aquilo, quem vai lembrar disso daqui 20 anos?

#1′s Queen!

 

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