Ontem, 02/04/11, foi o primeiro de dois dias de show da edição chilena do Lollapalooza e em meio a problemas de organização graves e algumas surpresas, no fim do dia prevaleceu a celebração da música.

Saiba tudo que o evento no Parque O’Higgins ofereceu ao mundo e veja algumas fotos e vídeos. Ainda estou subindo alguns vídeos, então mais tarde o post será atualizado, mas como estou saindo pro segundo dia já deixo vocês atualizados com o que aconteceu no primeiro dia.
Não sei se a organização americana do evento estava envolvida nessa edição, mas uma coisa tenho certeza, ela não estava presente. Inicialmente houve uma confusão de informações enorme sobre os ingressos do evento. Todas as pessoas fora do Chile que compraram suas entradas só tinham como opção retirar os ingressos na bilheteria na hora do evento, sendo que na verdade poderiam ser retirados anteriormente, o que não foi divulgado. Soma-se a isso a estranha notícia no site oficial que eles só poderiam ser retirados de duas horas antes do primeiro show até meia hora antes do primeiro show. Oi? 1h30 pro mundo inteiro? O ocorrido foi o caos: a grande maioria das pessoas chegou pela manhã e o que existiam lá eram 3 GUICHÊS emitindo os ingressos, e não havia uma organização de fila, esperaram que as pessoas fossem ir chegando e se organizando. #utopiafeelings.
Em poucos minutos formou-se um tumulto, as filas pararam de ser atendidas pela confusão na porta do guichê e nada da organização se pronunciar. Cada pessoa passava uma informação diferente, e não haviam pessoas fluentes em outras línguas além do espanhol para informar. A demora foi tão grande que quem veio auxiliar foi a polícia chilena.Em um momento, os policiais chilenos estavam pegando o comprovante de pagamento e passaportes das pessoas e indo buscar os ingressos dentro dos guichês. COMOASSIM GENTE?

Após 1h de fila, a polícia montada chegou com grades que deveriam ter sido colocadas no dia anterior para criar uma fila e uma organização para a distribuição das entradas. Isso é o tipo de coisa que não se faz na hora do evento. Consegui pegar os meus 2h30 depois que cheguei, e tenho certeza que algumas pessoas demoraram até 3, 3h30 senão mais. Bora aprender com o Planeta Terra galera? Ele é um festival organizado.
Passada a confusão inicial, que com certeza já drenou as energias de muitassss pessoas fomos conferir o primeiro show do evento às 16h da tarde. Enquanto James tocava no palco principal, o Coca Cola Zero Stage fomos conhecer o parque que como qualquer festival tinha estandes de algumas marcas, sendo o mais destacado o Tech Square divulgada novos produtos da Microsoft e HP, sendo os mais notáveis o Xbox 360, Kinect e Windows 7. A Aquaris criou uma área de piquenique bem charmosa com toalhas para o pessoal e a os seres azuis da Nokia divulgavam a Ovi Store.
A primeira grande surpresa: NÃO VENDE BEBIDA ALCOÓLICA NO FESTIVAL. A primeira vez que vi isso :/ Por ser um evento que tinha até um palco só para crianças (Kidzapalooza Stage) e não barrar a entrada de menores, só tinha refrigerantes, suco e água. O mais punk era energético, rs. Ok, vamos lá, estamos aqui pela música não é?

No LG Stage fomos conferir Chris Cox Vs. Perryetty, outra confusão, não era eles no palco, mas o francês Joachim Garraud. Em festivais desse porte, com várias atrações conflitantes, uma troca assim sem justificativa no line-up altera todo o seu roteiro do dia. Já não iriamos ver o Chris Cox, pois se tocasse mais tarde conflitaria com o Datarock. Não conhecia muito bem Joachim, só alguns remixes, e fiquei surpreso com o set fantástico que ele apresentou às 4h30 da tarde. Passando por clássicos como Derb “Derb” e Dooze Jackers Garraud me surpreendeu com sua mistura nervosa de synths distorcidíssimos e controle de um teclado insano. Minha parte preferida foi seus dois mixes de Swedish House Mafia, “Miami 2 Ibiza” e “One”:
Joachim Garraud – Miami 2 Ibiza Remix
Depois do Joachim, o terceiro stress do dia, ao chegar no Tech Stage para o show do Datarock (que eu deixei de ir em São Paulo, porque já sabia que tocaria aqui)…SURPRISE, a arena estava lacrada. Colocaram uma atração como essa em um palco pequeno demais e fechado, em poucos minutos após o Edward Sharpe And The Magnetic Zeros a arena ficou lotada e tiveram que fechar os portões. Uma multidão gigantesca se aglomerou na frente do Tech Stage (inclusive eu) mas foi em vão, ficamos frustados e nada de Datarock. Em um festival desse tamanho é muito arriscado colocar atrações dessa magnitude em palcos pequenos. Centenas (se não milhares) de pessoas tiveram que escolher um outro show. E o problema vai se repetir no segundo dia com o The Drums que vai deixar muita gente de fora dessa arena.
Voltei para o LG Stage para dessa vez conferir o Chris Cox, cheguei e já estava no nervo, “Firework” da Katy Perry em um remix nervosíssimooooo, hahaha. Bem, ficamos por ali, e valeu a pena. Também demos uma passadinha pelo The National mas é meio deprê, não é o tipo de banda que gosto de ver em festivais, mas o público deles foi gigantesco obviamente.
Chris Cox – Intro e Firework Remix
Depois do Chris Cox dúvida: CSS, o Cansei De Ser Sexy, os brasileiros que sumiram do Brasil e farão show na semana que vem aí ou Empire of The Sun, que vi há poucos meses no Planeta Terra? Já que vou no CSS em 1 semana deu Empire. Confesso que não conhecia muito bem a banda quando vieram no Terra, só dois singles, mas a mistura de electro, rock e muitassss performances no palco me conquistaram e logo depois comecei a ouvir bastante o cd de estreia de 2008 “Walking On A Dream”, então o show foi uma segunda chance de vê-los, mas agora com mais know-how. Incrível, o show é divertido, animado, bastante teatral, e a arena estava LOTADA, porém acredito que quando tiverem mais 1 ou 2 cds seus shows serão bem melhores, ainda falta repertório, o que faz com que alguns momentos do show sejam engodo para render no cronômetro. As dancinhas são as mais divertidas, se você não conhece deveria:
Empire of The Sun – Standing On The Shore, We Are The People, Walking on a Dream e mais as dançarinas estranhas
No fim do dia The Killers ou Fatboy Slim? Tentei ir ao The Killers, mas foi desleal para quem estava no Empire of The Sun. Ao sair do show dos australianos e me dirigir ao Coca Cola Zero Stage centenas de milhares de pessoas. Impossível chegar a quilômetros do palco, nunca vi tanta gente em um lugar só. Com certeza foram a atração mais aguardada do primeiro dia. Ficamos um tempo ali até eu ouvir, “All The Things That I’ve Done”, “Somebody Told Me” e depois fomos ver um pouco do Fatboy Slim.
Um dia gostei de Fatboy Slim, mas hoje não dá mais para mim. Sem querer exibir complexo de underground acho que virou DJ das massas. Vive de hits antigos, meio over, se ouvir ele tocar “Right Here, Right Now” mais uma vez vou arrancar meus ouvidos. Tirando isso o de sempre, “Weapon of Choice”, seu remix de “Seven Nation Army”, “Praise You”, etc. Não curto muito esses djs que vivem de show de Greatest Hits, quero coisa nova. Até os telões eram as mesmas projeções de 1 ano atrás. Não é minha praia. Olha aí a massa entupindo o LG Stage, tinha muita gente também na hora do set dele.
Fatboy Slim tocando pra muita gente – Right Here, Right Now, Seven Nation Army
Saímos para ir embora antes do The Killers acabar para não ter que disputar um transporte com centenas de milhares de pessoas para voltar pra casa, mas deu tempo de pegar “Read My Mind”
Queria ter visto mais do show, mas estava cansado demais já, em parte pelo stress dos ingressos que levou muito da energia do dia.
Ao fim do dia a sensação foi de satisfação. Apesar dos vários contratempos, dá para dizer que o primeiro dia do Lollapalooza no Chile foi um sucesso, e no segundo dia, agora sem o drama dos ingressos e com Kanye West promete mais ainda.

FOI UM SUCESSO
- Line-up variado para todos os gostos em rock, alternative rock e indie.
- O local escolhido foi excelente, O Parque O’Higgins é o tipo de espaço que falta no Brasil para shows. PARQUES com arenas fechadas, espaços para shows a céu aberto, para sentar e curtir a música na grama se quiser. Principalmente Rio e São Paulo, as duas maiores capitais do país que só oferecem estádios ou arenas pequenas. NENHUMA opção de espaço para festivais nos moldes americanos e europeus.
- Conhecer coisas novas, o grande barato de festivais. Oi Joachim Garraud e James.
- O acesso. Metrô direto para a porta do parque, sem ter que procurar ônibus, ir de carro ou gastar dinheiro com táxi. Principalmente para voltar pra casa. No Brasil já é prática os táxis superfaturados que cobram 3, 4 vezes mais depois dos shows.
- O palco Kidzapalooza. Amantes da boa música também tem filhos! Um dia inteiro de shows para crianças e muito legal ver pais curtindo o show do The Killers, The National e até do Chris Cox com os filhos de 2, 3, 4 anos. <3 É de cedo que se aprende! Haha.
- Gente louca. Uma das partes que mais gosto em festivais é como as pessoas se expressam visualmente. Ok, algumas erram feio, hahaha, mas tem muita coisa legal!
FOI UM DESASTRE
- A falta de experiência e know-how na organização da retirada dos ingressos. Foi um pavor. Vi muita gente culpando o fato do festival ser “na América do Sul” ou “no Chile” para ter sido tão desorganizado nesse quesito. Com certeza muitos estrangeiros levaram essa imagem do país para casa.
- Mudanças no lineup e cancelamentos. Yeah Yeah Yeahs que cancelaram e mudanças de ordens shows.
- NO DRINKS. Porrãn, nem uma cervejinha? Que maldade. Fiquei o dia inteiro bebendo refrigerante de uva verde.
- O Lollapalooza é um festival de rock, indie e hip hop. Faltou bemmmm mais hip hop. De grandes nomes mundiais só tem Kanye West.
- Fatboy Slim que teoricamente era o headliner da área “eletrônica” do festival, mas foi bem menos interessante do que os djs que vieram antes dele.









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