Se tem uma lição que a gente pode aprender com Jennifer Lopez é: nunca desista dos seus sonhos.

Jlo estourou musicalmente no mundo em 1999, com quase 30 anos já, uma idade considerada alta para iniciar uma carreira no pop, mas isso não parou a sexbomb latina de comandar as paradas por anos com hit atrás de hit todos fazendo sucesso nas pistas. Quem não dançou na noite no começo da década “If You Had My Love”, “Waiting For Tonight” ou “Love Don’t Cost A Thing”? Os anos foram passando e a música dance ficou em baixa, veio a era do R&B e do Hip Hop, Jennifer entrou na onda e foi a melhor cantora pop a se aventurar nessa área, até virou Jenny From The Block.

A fase urban passou de novo, o pop voltou e o dancepop farofa virou a febre do momento, depois de 2005 com “Get Right” ela nunca mais conseguiu ir para o topo, veio a fase com singles medianos que foram caindo caindo até chegar no poço de sua carreira no ano passado, quando teve o cd adiado por quase 2 anos depois que “Brave” deu mais prejuízo do que lucro, saiu da Sony Records, teve o cd novo quase todo vazado e divulgou mais de 5 músicas em 1 ano sem nenhuma fazer impacto nenhum relevante nas paradas, iniciou-se a era Jennifer Flopez e ela virou piada, até aqui no blog mesmo. Acho que nem os fãs acreditavam mais que ela voltaria à boa forma de antigamente, mas um programa de TV e a lambada vieram, 2 anjos que parecem ter salvado sua carreira.

Em 2010 veio a notícia de que ela seria a mulher no painel de jurados do American Idol, estreou no programa com uma chuva de críticas positivas e já aproveitou a boa fase para lançar mais 1 single do adiadíssimo “Love”, a dançante “On The Floor” com sample de “Lambada” do Kaoma e versos do Pitbull. Na internet fez-se o frisson por causa do sample do Kaoma, amplamente criticado (principalmente no Brasil), porém ninguém deixou de dançar “Hung Up” em 2006 com o sample igualmente cafona-delícia mas altamente pregnante de “Gimme Gimme Gimme” do ABBA na música da Madonna.E outra, só o Brasil conhece “Chorando Se Foi” dessa forma negativa, e como não somos correspondentes a nem 5% do mercado da música, então só nós estamos falando mal do sample. UPDATE: O pessoal deixou nos comments que Kaoma fez muito sucesso no mundo todo na verdade em 89. Principalmente França. (Sim, sabia mas não tinha citado isso, alôô Lambada, Ritmo Proibido? Até porque a imprensa internacional tem comentado que tem o sample do Kaoma, mas o que eu quis dizer é que SÓ no Brasil o fato de ter sample do Kaoma tem sido visto de forma tão pejorativa).

Ao começar a ser vendida “On The Floor” virou um hit instantâneo. #1 no Itunes em 10 países logo de cara e no Estados Unidos chegou ao #2 no Itunes, só perdendo para “Born This Way” da Lady GaGa. A música estreou no #40 na tabela de Pop Songs, a última dela a conseguir o feito foi “Do It Well” em 2007 e mais sucesso ainda foi a estreia no hot 100 da Billboard, no #9. Jenny não entrava no top 10 desde 2003 com “All I Have”, que foi #1.

Celebrando a volta ao topo e o fato de que novamente é relevante, ontem estreou o clipe de “On The Floor” (no American Idol claro). O clipe é boring as hell, já vimos igual várias vezes, tem a Jennifer quebradeira que chega na boate de BMW e coloca um brinco Swarowski (alôôô, alguém tem que pagar a conta do vídeo né? Os tempos são outros) e lá dentro encontra a J-Lo carão, a dona da balada que fica intrigada. Ela até já fez a linha múltipla personalidade em “Get Right”, então nada de novo.

Mas porque essa historinha toda aí em cima? Para justificar porque eu achei “On The Floor” melhor do que o clipe da Britney e da GaGa, não sou fã incondicional de nenhuma das 3 mas o comentário é polêmico. Esse clipe da Jenny tem valor histórico, não é uma produção visual feita pra chocar como todo mundo quer fazer, é uma mensagem do seu ressurgimento, da volta ao topo, não só dela mas da sua era, a era do pop que era dançado. No começo dessa década o cenário uptempo pop era simplesmente sobre dança: Jennifer Lopez, Janet Jackson, Britney, Christina, Jessica Simpson, Madonna eram hits (a vertente da Kylie sempre foi outra). JLo começou a flopar, Janet também, Britney ficou louca, Christina se foucou mais em sua voz lançando um cd a cada 30 anos, Jessica engordou e Madonna continua a dançar mas cada vez menos sexy (porque né? Já é uma senhora).

Já viu que todo mundo só reclama dessas premiações de hoje em dia? Que todas são sem graça? É porque não tem mais o deslumbre de dança e o showmanship que uma performance ao vivo significava.

No fim da década o cenário pop: Katy Perry dura, Rihanna mais ou menos dura, chama mais a atenção pelas roupas e cabelo do que movimento, Janet, Jessica e Christina ficaram em segundo plano, Lady GaGa compensa a fraqueza na dança com figurinos, cenários e “sua arte”, Britney deixou de ser louca mas ainda está mais ou menos nos movimentos, só tem a Beyoncé e a Madonna que dançam no pop, e a segunda raramente aparece.

Aos 41 anos, empresária/cantora/atriz(k-kinda), mãe de 2 filhos com um corpo, pele, cabelo de dar inveja em qualquer cantora 15 anos mais jovem do que ela, condição física invejável, dançando mais que qualquer um ao seu lado, Jennifer Lopez volta a comandar as pistas, posto que um dia foi dela, mas se você tem menos de 20 anos provavelmente nem sabia disso. Ela celebra uma era em que clipe pop sem dança com energia no nível 100, não era clipe pop. Saudades de 2001.

Só para constar. A música continua sendo dance-farofa, mas visto pelo é o que cola no mercado aí, é o que tem para hoje.

E sobre os product placements no vídeo. Sempre teve e sempre vai ter, a economia está em recessão e ninguém mais vende cd como antes, gravadoras não tem mais dinheiro pra queimar em vídeo, mas quando usado de uma forma que faça sentido não vejo problema. Agora quando é usado como o Plenty of Fish em “Hold It Against Me” ou “We R Who We R”, é outra história.

It’s a new J.Lorationnnnnnnnn!!! Rs.

 

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