2010 foi um ano fervido por aqui, muita gente passou pelo Don’t Skip, e como fazer uma lista de melhores de alguma coisa dá muito trabalho e quase sempre fica injusta eu resolvi fazer uma lista dos 20 cds que eu mais ouvi no ano, não necessariamente os melhores. A falta de critério para qual gênero musical eu falo aqui é o que faz esse blog existir, porque todo mundo tem momentos diferentes para tipos de músicas diferentes, e após olhar cd por cd lançado esse ano consegui montar essa lista totalmente sem nexo, mas que é um reflexo do que eu ouço no dia a dia. O meu critério não foi qualidade técnica, números de vendas ou aclamação pela crítica, 20 discos escolhidos puramente pelo emocional. Muitos não tem singles excepcionais entre os melhores do ano, ou sequer apareceram em algum lugar, mas todos eles foram as minhas escolhas de 2010 seja em festas ou fazendo compra no supermercado e que com certeza ainda ouvir muito ano que vem. Tem rap, pop, folk, R&B, electro e mais.

A maioria dos cds eu já falei sobre com mais detalhe no blog, então se você se interessou por algum pode procurar que tem aí. Fiz o post bem gigante e completinho porque vai ser o último de 2010, entao você tem 2 dias para conhecer músicas novas ainda esse ano! Voltarei dia 01.

Feliz Ano Novo à toda a #familiadontskip e nos vemos em 2011!!!

#20 – She & Him – Volume II

Começando com fofuxice. Abrindo a lista no vigésimo lugar a dupla formada pela aérea Zooey Deschanel e M.Ward retornou esse ano com seu segundo cd criativamente chamado “Volume II“, típico dos hipsters de banda hipster dar esses nomes irônicos/blasé. Um dos melhores cds para se fazer atividades que exijam batimentos cardíacos controlados. O pop/folk da dupla é totalmente cativante. Sempre coloco na primeira faixa e me deixo levar pela voz doce, romântica e blasé de Zooey. “Volume II” é um daqueles álbuns que você não sabe porque, mas simplesmente se sente bem ouvindo. Entre a prateleira do leite de soja e dos enlatados no supermercado você sempre vai me encontrar ouvindo “Thieves” ou “In the Sun”. Don’t Skip: “Thieves”, “In The Sun”, “Lingering Still” e “Brand New Shoes”.

She & Him – In The Sun

(link) (Thieves)

#19 – Shontelle – No Gravity

A gente sabe que a indústria é um lugar injusto e se você tem sucesso você tem espaço e se você não tem…só lamento. E acho uma das maiores injustiças de 2010 o “No Gravity” da Shontelle ter passado batido por todo mundo mesmo com o hit “Impossible” que provavelmente deu esperanças à cantora de ficar bem famosa como a sua conterrânea de Barbados Rihanna. O segundo cd de Shon-shon é um mix gostoso entre R&B e dancepop, sem ser farofão,  preservando o tempero de Barbados, uma vantagem em relação a vários discos nas prateleiras americanas. Uma das maiores surpresas do ano para mim, fui ouvir achando ser genérico e descartável, mas a esforçada cantora me cativou na primeira vez que ouvi, seja em baladinhas como “Say Hello To Goodbye” ou pra bater capô de fusca no chão a mil por hora com “Take Ova” e a falsa baladinha “Perfect Nightmare”. Talvez um dia ela chegue lá, rs. Don’t Skip: “Perfect Nightmare”, “Impossible”, “Take Ova” e “No Gravity”.

Shontelle – Perfect Nightmare

(link) (Impossible)

#18 – Scissor Sisters – Night Work

Eu sempre gostei bastante dos singles do Scissor Sisters, mas nunca tinha me conectado com um disco inteiro deles. Sempre achava as outras faixas fracas em relação aos singles mas em “Night Work” foi a primeira vez que eu fiquei sem saber qual seria o próximo single de tantas possíveis escolhas, aliás só fui no show aqui em São Paulo por causa do “Night Work” que foi quase todo cantado no Via Funchal. Sagaz, irônico e ácido como todos os trabalhos da banda, mas aqui o que supera e eleva-os a outro patamar é o charme único de cada faixa, na The-Killers-Style “Fire With Fire”, nas divertidas “Skin This Cat” ou “Harder You Get”, na flamboyant-pintosa “Any Which Way” ou na quase trance “Invisible Light”. Mesmo que o Jake Shears tenha perdido o seu falsetto que o fez famoso, ainda acredito que eles trarão muita coisa boa para a música pop. Don’t Skip: “Fire With Fire”, “Any Which Way”, “Something Like This” e “Skin This Cat”.

Scissors Sisters – Any Which Way

(link) (Invisible Light)

#17 – Mike Posner – 31 Minutes to Take Off

Desde que Justin Timberlake resolveu se aposentar da música e ir brincar de ator, o nicho dos homens do pop nos Estados Unidos ficou totalmente órfão. Ninguém ameaça o seu reinado no gênero até a chegada de Mike Posner, que teve um dos singles do ano com a fantástica “Cooler Than Me”. E quando seu “31 Minutes to Take Off” levantou voo me impressionei com o frescor e a qualidade do disco. Não se engana pela cara de bom moço e pelas melodias aveludadas dos muitos sintetizadores do cd, Mike tem uma língua feroz e não pensa duas vezes antes de soltar “I should’ve cheated on you, nobody told me I was dating a whore“, mesmo tendo crescido em um lar judeu-católico, rs. Posner conheceu o sucesso em universidades antes de estourar nos EUA. Graduado pela Duke University, não sei se 2010 foi um ano bom de notas no histórico escolar para ele, mas foi um ótimo ano de notas no bolso, rs. Don’t Skip: “Please Don’t Go”, “Cooler Than Me”, “Bow Chicka Wow Wow” e “Gone In September”.

Mike Posner – Cooler Than Me

(link) (Please Don’t Go)

#16 – Sade – Soldier of Love

Dez anos se passaram desde o último cd da Sade. Confesso que antes desse cd só conhecia messsmo o hino de motel “Smooth Operator”. Esse ano a banda voltou com o R&B moderno de “Soldier of Love“, uma deliciosa experiência orgânica que fez com que o disco fosse merecidamente um dos dez mais vendidos no ano nos EUA. Sem malabarismos vocais, instrumentos complexos ou produções intrísecas e meticulosas, “Soldier of Love” lhe conquista simplesmente pela pureza, a percussão calmante e a agradável sonoridade. Ótimo para se isolar do mundo e só prestar atenção na voz aveludada da vocalista Sade Adu. Don’t Skip: “The Moon And The Sky”, “Soldier of Love”, “Babyfather” e “Skin“.

Sade – Babyfather

(link) (Soldier of Love)

#15 – Trina – Amazin’

Um dos gêneros menos populares é o rap feminino, o que pode mudar visto o sucesso que Nicki Minaj tem feito nas tabelas. Já na velha guarda só uma MC continua na ativa lançando cd atrás de cd, emplacando singles nos Rap Charts: Trina. Com o caminho livre sem Missy Elliott, Li’l Kim, Diamond, Eve, etc e Minaj apostando no soft rap, Trina é a única hardcore rapper de destaque no mercado. E quando eu quero trazer à tona meu fake espírito Bronx/Queens eu não penso duas vezes antes de ouvir o “Amazin’” que realmente é amazing! Os versos afiadíssimos e sem censura de Trina aliados a batidas viciantes fazem desse cd um dos melhores na black music de 2010. Outro grande feito de “Amazin’” é conseguir misturar o rap mainstram de “Million Dollar Girl” com Keri Hilson, com um lado suave em “Always” ou “I Want It All” ambas com Monica e como não podia faltar, o street bitch rap incisivo de “My Bitches” ou “Currency”, e god knows como eu gosto de um bom black bitch rap, rs. Assim com o disco de 2008 “Still Da Baddest”, “Amazin’” pode não ser um dos melhores cds do ano, mas no rap ele se destaca tanto que resolvi incluí-lo aqui. Don’t Skip: “My Bitches”, “That’s My Attitude”, “White Girl” e “Currency”.

Trina – My Bitches

(link) (White Girl)

#14 – Swedish House Mafia – Until One

Formado por Sebastian Ingrosso, Axwell e meu dj favorito no mundo Steve Angello, a Swedish House Mafia nasceu como uma brincadeira entre os 3 djs que são suecos, expoentes do cenário eletrônico do país e constantemente tocavam juntos. Vistos que separados tinham um sucesso considerável, oficializaram a brincadeira e agora máfia sueca tomou conta das pistas dos clubes mais influentes do mundo quando se junta. Você mesmo com certeza é viciado em alguma música deles e não sabe. Quer ver só? Sabe essa música: “so baby if you want meee, you gottt to show me loveee“? Então, foi produção do Steve Angello com o Laidback Luke. Ao contrário da farofa do David Guetta, o trio consegue produzir faixas que agradam os que levam a house music a sério ou àqueles que só vão pra balada ESTRONDAR AS MINA. Na Europa não tem um baladeiro que não conheça “One (Know Your Name)” ou “Miami 2 Ibiza“, dois grandes hits por lá em 2010.  Em outubro lançaram o cd “Until One” que aglomera os melhores hits deles. Imprescindível em qualquer festa. Taking the party to the next level. Don’t Skip: “One (Know Your Name)”, “Miami 2 Ibiza”, “Knas” e “Valodja”.

Swedish House Mafia – Miami 2 Ibiza (ft. Tinie Tempah)

(link) (One ft. Pharrell Williams)

#13 – Kelis – Flesh Tone

Kelis sempre teve uma carreira no hip hop e no R&B, mas no fim de 2009 ela quase abandonou a carreira musical porque achava que não lhe dava mais prazer, ficou afastada dos holofotes por muito tempo para fazer um curso de culinária e até pensou em ser chef. Ainda bem que ela voltou a atrás. No house ela reencontrou a paixão pela música, provavelmente observando que a black music já estava migrando para as pistas. Enquanto Taio Cruz, Usher e Will.I.Am se aventuraram pela faux dance music, um pop suficientemente house porém moldado para as rádios, Kelis entrou de cabeça no electro, trance e vertentes. Juntando a voz rouca e crua da cantora, seu estilo sempre ousado e quem entende do assunto como David Guetta, Calvin Harris e Tiësto, o resultado não poderia ser outro senão o delicioso “Flesh Tone“. Quem conhecia a cantora em “Milkshake” ou “Caught Out There” não vai reconhecê-la em gravações como “Home” ou “Emancipate”. É exatamente o que o Will.I.Am deveria fazer se quisesse criar um hip hop/house de qualidade e não o que ele fez com o the Black Eyed Peas. O único lado ruim é que a experiência eletrônica dura míseros 38 minutos. Don’t Skip: “22nd Century”, “4th of July (Fireworks)”, “Scream” e “Brave”.

Kelis – Scream

(link) (4th of July (Fireworks) )

#12 – Maroon 5 – Hands All Over

Longe de ser inovador, de pensar à frente do tempo ou de se aventurar em outras áreas, o Maroon 5 conhece muito bem sua zona de conforto e dela não sai. Seu último cd “Hands All Over” aliás, está longe de ser inovador, é o mesmo som de sempre só que dessa vez dá para dar crédito à banda por experimentar mais com sons variados, do country de “Out of Goodbyes” ao rockabilly do cover de “Crazy Little Thing Called Love” do Queen. O atraente aqui (além do Adam Levine óbvio) são as composições que sempre são bem reais e qualquer um pode se relacionar com as frases cantadas por Adam que falam de relacionamentos que deram certo e muitos outros que deram bastante errado, rs. Um excelente álbum para a estrada, apesar de que eu não tenho habilitação, rs. Mas quem não tem vontade de fazer uma road trip ao som de “Never Gonna Leave This Bed”? Agradabilíssimo da faixa 1 à 14 (ou até a 21 se tiver a versão deluxe). Don’t Skip: “Get Back In My Life”, “How”, “Out of Goodbyes” e “No Curtain Call”.

Maroon 5 – Out of Goodbyes (ao vivo @ A Home For The Holidays)

(link) (Give A Little More)

#11 – Drake – Thank Me Later

Drake vem da nova geração de rappers hipsters americanos, que trouxe à tona nomes como Wale, Kid Cudi e ele, rappers que não falam de mazelas sociais, são vulneráveis e trocaram as ruas pelas pistas. Drizzy também é um dos únicos que conseguem cantam e fazer rap ao mesmo tempo. Não é um rouxinol, mas conta pontos ao seu favor e deixa o cd mais versátil. O incrível time de produção por trás do rapper novato mais hypado do momento junto com um time de convidados estelar como Alicia Keys, Li’l Wayne, T.I., Nicki Minaj, Jay-Z, The-Dream e Swizz Beatz fizeram com que “Thank Me Later” atingisse um nível de perfeccionismo alcançado por poucos. Uns hits também não fazem mal a ninguém não é? Durante o ano Drake ficou constantemente no hot 100 com a cool “Over” e a dançante “Find Your Love”. Don’t Skip: “Fireworks”, “Over”, “Fancy” e “Find Your Love”.

Drake – Over

(link) (Find Your Love)

#10 – Sia – We Are Born

2010 foi o ano que o mainstream conheceu a Sia por seu trabalho compondo várias baladinhas no “Bionic” da Xtina Aguilera, mas o que poucos sabem é que ela também lançou seu quinto cd “We Are Born“. O vibrato inconfundível, o timbre único e o talento com uma caneta na mão fazem do cd um dos melhores do ano para mim. Furler é uma cantora bem versátil, consegue lhe envolver em uma aura de reflexão e tristeza com “I’m In Here” ou o cover da Madonna de “Oh Father” mas também consegue lhe fazer mexer involuntariamente com muito bom humor em “Clap Your Hands” ou Bring Night”. A australiana já virou celebridade nos bastidores da indústria e em 2011 pode trabalhar com pencas de popstars que estão ávidas pelo seu talento como compositora. Bem, o melhor material Sia tem usado para ela mesma. Don’t Skip: “Clap Your Hands”, “Bring Night”, “I’m In Here” e “Stop Trying”.

Sia – Clap Your Hands

(link) (You’ve Changed)

#09 – Crookers – Tons of Friends

Formado pelo duo de djs/produtores italianos Bot e Phra, o Crookers é especializado em mesclar o house com o hip hop gerando uma combinação fascinante e atraente não só misturando os dois gêneros, mas fundindo-os. Famosos pelos seus remixes, em 2010 se superaram com o o cd “Tons of Friends“, que é isso mesmo que o nome sugere. Suas produções intrísecas e inusitadas com ajuda da elite alternativa: Roísín Murphy, Rye Rye, Yelle, Miike Snow, Spank Rock, Major Lazer, Soulwax, Mixhell e também da galera mainstream: Kelis, Will.I.Am e Pitbull. Essa variedade de nomes presentes em seu trabalho também reflete a sopa de gêneros presentes no disco, do quase dubstep de “No Security” com a Kelis até o electro/dancehall de “Birthday Bash” ou “Jump Up”. O que faz do disco tão especial é que você não consegue encaixá-lo em um gênero só. “Tons of Friends” foi uma resposta do electro/hip hop de 2010 ao excelente “Gunz Don’t Kill People…Lazers Do” do Major Lazer de 2009. Ambos são bem parecidos e cada um foi o melhor do gênero em seu ano. Don’t Skip: “Cooler Couleur”, “Royal T”, “Birthday Bash” e “Jump Up”.

Crookers – Royal T (ft. Roísín Murphy)

(link) (No Security)

#08 – Vampire Weekend – Contra

É um pecado capital comparar qualquer banda do universo com os Beatles, mas se John. Paul, Ringo e George tivessem nascido na década de 80 acho que o som deles seria bem parecido com o do Vampire Weekend hoje. A banda começou pequena, mas rapidamente se tornou um grande sucesso mundial, sendo considerados uma das bandas indies de maior sucesso no mercado após o lançamento do espirituoso “Contra“, são quase mainstream, uma vez que o cd já vendeu mais de 400 mil unidades. Eles parecem estar sempre a mil por hora, seja nos instrumentos que tem riffs curtos e rápidíssimos ou na voz amigável do vocalista Ezra Koening.  É muito fácil simpatizar com o som deles, na relaxada “Horchata”, nas aceleradas “Cousins” e “Holiday”, na divertida “White Sky” ou na cool “Giving Up The Gun” que é tão cool que no clipe tem o Jake Gylenhall, o Joe Jonas e o Li’l Jon em um vídeo só. “Contra” realmente é um disco aonde eu não sei apontar quais são as melhores. Fecham 2010 como a melhor banda indie do ano para mim e já em janeiro de 2011 poderemos conferí-los aqui no Brasil! Don’t Skip: “Horchata”, “Holiday”, “Run” e “Giving Up The Gun”.

Vampire Weekend – Giving Up The Gun

(link) (Holiday)

#07 – Nicki Minaj – Pink Friday

No fim de 2009 Nicki Minaj já despontava como um dos grandes nomes para se prestar atenção em 2010. Durante o ano todo foram colaborações e mais colaborações e em menos de 12 meses ela já colaborou com Kanye west, Jay-Z, Drake, Li’l Wayne, Diddy, Mariah Carey, Robin Thicke, Rihanna e muito mais. Sem dúvidas ela foi a sensação americana do ano e em novembro ela se provou com seu “Pink Friday” que fez o rap feminino voltar a ser popular, menos de dois meses após o lançamento, o disco já caminha para a marca de 1 milhão de unidades vendidas. Grande parte dos leitores do blog sucumbiram à Harajuku Barbie e se no fim do ano passado nunca se imaginariam ouvindo-a hoje estão viciados. O melhor do “Pink Friday” é o balanceamento entre o rap e o pop que deixa o disco leve, uma vantagem mas ao mesmo tempo uma desvantagem. Os xiitas do rap torcem o nariz, mas ao mesmo tempo o disco é agradável e a missão foi cumprida, girl rap is back. E se durante o ano ela ajudou muita gente, agora todo mundo voltou para apoiar a rainha das caretas, visto que passam pela sexta-feira rosa Eminem, Will.I.Am, Kanye West, Drake, Rihanna e Natasha Bedingfield. Don’t Skip: “I’m The Best”, “Roman’s Revenge”, “Blazin’” e “Moment 4 Life”.

Nicki Minaj – Right Thru Me

(link) (Check It Out)

#06 – Far East Movement – Free Wired

Sorrateiramente os rapazes de ascendência asiática do Far East Movement subiram meteoricamente para o primeiro lugar das paradas americanas com “Like a G6″. Quando peguei o cd fui esperando o que o hit propunha, um disco lotado de club hits, uma festa non-stop. Ledo engano, “Free Wired” também tem seus momentos de paz como a doce “Rocketeer”, momentos Beach-Boys-style com “So What” mas sem deixar os club hits de lado com “Girls On The Dancefloor” e “2Gether”. O que à primeira vista parecia propaganda enganosa acabou se revelando como um disco com muitas dimensões, o que dá ritmo ao trabalho de Kev Nish e Cia. Outro cd que eu coloco na primeira faixa e quando percebo já está na última. Em 2011 também ouviremos muito falar da turma do FM que inclui a cantora DEV e os produtores The Cataracs, guardem esses nomes. Don’t Skip: “Girls On The Dancefloor”, “Like a G6″, “Rocketeer” e “Fighting For Air”.

Far East Movement – Rocketeer (ft. Ryan Tedder)

(link) (Girls On The Dancefloor)

#05 – Alphabeat – The Beat Is…

Outra banda que eu conhecia pouco. Quando me perguntavam de Alphabeat sempre dizia, “ah conheço Fascination”. Após entrar em contato com o single “DJ” desse segundo cd dos dinamarqueses, fiquei fascinado com esse europop sintetizado com muitos, mas muitos teclados. Fui atrás da fonte de onde a faixa saiu e o resto é história. É o mesmo caso do cd do Vampire Weekend, se me perguntarem agora qual canção do “The Beat Is…” eu gosto mais… sinceramente digo que não sei. A voz da vocalista Stine Bramsen é encantadora e a produção com toques de anos 90 dão o tempero certo no álbum que é perfeito para qualquer verão ou simplesmente para levantar o astral naqueles dias acinzentados. Assim como no “Volume II” do She & Him o fator “fofuxice” aqui também é uma grande contribuição. São o meu grupo favorito do que a BBC chama de wonky pop, que é um pop atraente, peculiar e bem viciante com raízes nos anos 80. Tecnicamente o cd é de outubro de 2009 sendo lançado na Dinamarca como “The Spell”, mas só foi lançado no Reino Unido em março de 2010 sendo renomeado para “The Beat Is…”, então está valendo. E como vale! Don’t Skip: “DJ”, “Chess”, “Heart Failure” e “Heat Wave”.

Alphabeat – Heat Wave

(link) (DJ)

#04 – Bruno Mars – Doo-Wops & Hooligans

Há muito tempo Bruno Mars já é um compositor com grande credibilidade na indústria, sendo um terço do time de compositores The Smeezingtons. Em 2010 o havaiano resolveu sair de trás das cortinas para ir para frente das câmeras. O talento nato para escrever junto com uma voz que vale milhões não teve como dar errado. Misturando pop, blues, R&B, reggae e muito doo-wop, Bruno tem um som muito atual mas com forte inspiração nos anos 60. Na primeira vez que ouvi o “Doo-Wops & Hooligans” não amei imediatamente, mas o disco é daqueles que quando você começa a prestar atenção na letra e se deixa levar pelo ritmo fica hipnotizado, mas é uma densa montanha-russa de emoções. Diverte, emociona, deprime e anima em pouco mais de 40 minutos. Quem nunca amou demais como em “Grenade”? Quem nunca enxegou perfeição nos defeitos alheios como em “Just The Way You Are” ou não se sentiu sozinho “Talking to the Moon”? E que tal uma música inteira dedicada a não fazer nada, o ócio puro de “The Lazy Song”. Don’t Skip: “Grenade”, “The Lazy Song”, “Marry You” e “Just The Way You Are”.

Bruno Mars – Grenade

(link) (Just The Way You Are)

#03 – Kanye West – My Beautiful Dark Twisted Fantasy

Louco, megalomaníaco, egocêntrico, excêntrico, totalmente sem noção da realidade, mas no fim do dia genial. De setembro de 2009 a outubro de 2010 Kanye West foi xingado pelo mundo inteiro de louco e alguns diziam que sua carreira já era depois do episódio Taylor Sleep do VMA. Novembro de 2010: chega ao mercado o seu novo cd. Dezembro de 2010: T-O-D-A-S as publicações musicais citaram o “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” como um dos 3 melhores cds do ano, na maioria das listas ele aparece no topo. Spin, NME, New York Times, TIME Magazine, Rollingstone, Pitchfork ou qualquer site/revista/jornal que tenha uma seção de música cobriu de glórias o cd pós-escândalo de Kanye West e não é para menos. Contrariando o minimalismo do “808′s & Heartbreak”, no MBDTF o maximalismo é quem fala mais alto. Um auto-tune divinamente usado com instrumentos de óperas e sons grandiosos, para serem ouvidos em um estádio lotado tornam esse cd um dos 3 melhores do ano. Quando você ouve as faixas desse projeto você sabe que está ouvindo algo épico, algo que você não conhecia antes, seja com. Kanye West faz os outros rappers parecerem amadores quando está em uma mesa de produção. Ninguém sabe o que se passa na cabeça dele quando ele está twittando seus twitts mais bizarros (I’ve finally realized as long as you use profanity when you talk about art and fashion it’s better accepted!!!) e ninguém sabe o que se passa na cabeça dele quando ele está compondo. Continue assim Kanye, incompreendido e intocável. Don’t Skip: “Monster”, “Runaway”, “Lost In The World”, “All of The Lights”, “Power” e “Blame Game”.

Kanye West – Power

(link) (Runaway completo)

#02 – Janelle Monáe – The ArchAndroid

Você não precisa nem ouvir o cd da Janelle Monáe para saber que é algo especial e único, você só precisa olhar para ela. Um rosto delicado com um penteado espalhafatoso que parece que veio para o século XXI direto de uma máquina do tempo. O rapper/produtor/empresário Sean “Diddy” Combs enxergou o potencial e o talento desse ser e financiou o nascimento do “The ArchAndroid” através da Bad Boy/Atlantic Records. Ouvindo o cd entendemos porque ela se veste como se fosse uma versão feminina de James Brown. Sua imagem e seu som bebem muito nas fontes do trabalho do ícone da Soul Music. J-Mo mistura o moderno hip hop e o pop com o funk e o groove, criam uma nostalgia mas com uma roupagem atual. O que fez “The ArchAndroid” fosse o segundo melhor cd do ano para mim é exatamente o estado que você fica quando o ouve, como se estivesse em uma faixa temporal paralela. E não é só boa apenas de se ouvir, é ótima para se ver. Suas performances ao vivo sempre transbordam energia, ela não precisa se esforçar nem um pouco para ser carismática, basta vê-la trazer toda a emoção em uma apresentação de “Cold War” ou as dancinhas old school divertidíssimas de “Tightrope”. O disco conta as aventuras de seu alter ego Cindi Mayweather pela cidade de Metropolis, o que explica o tom fantasioso de muitas faixas, como a caricata “Come Alive ( The War of Roses)”, a viajante “Wondaland” ou a alucinógena “Mushrooms & Roses”. Don’t Skip: “Cold War”, “Tightrope”, “Faster”, “Locked Inside”, “Dance or Die” e “Wondaland”.

Janelle Monáe – Tightrope (ft. Big Boi)

(link) (Coldwar)

#01 – Robyn – Body Talk

Qualquer pessoa que conheça esse blog por algum tempo já tinha certeza que a Robyn estaria aqui no topo. Antes do ousado “Body Talk” eu conhecia uma música ou outra e só simpatiza, mas hoje já é a rainha do meu coração, só perde pra Beygod, rs. No fim de 2009 li sobre esse tal projeto de não lançar um LP mas sim 3 eps ao longo. Achei interessante. O modelo de comercialização de música hoje em dia é muito engessado. A rotina é lead single > promoção na TV > lançamento do cd > mais promoção > turnê aí volta-se para estúdio e se recomeça o ciclo. Em um mercado cada vez mais fragilizado Robyn viu que podia fazer diferente, inverteu o processo para lead single > promoção > EP > turnê > lead single > EP > turnê > lead single > EP > turnê. A intenção era essa, poder ir lançando o disco aos poucos, a medida que percorria o mundo nos palcos, para deixar o processo mais orgânico, o tempo todo que ela esteve na estrada produziu e lançou material novo. A estrutura por si só já era incrível e quando fomos bombardeados por uma enxurrada de músicas incríveis foi explosão de cabeça. Em 2010 a sueca redefiniu o pop e não é exagero. Se no começo dos anos 2000 ficamos intrigados pelo som de Britney Spears que entre altos e baixos se tornou o maior fenômeno pop depois da Madonna, 10 anos depois Robyn estabeleceu o padrão de qualidade da próxima geração. À primeira vista o que chama a atenção são as batidas viciantes, que ficam impregnadas na pele e levantam até defunto. Um olhar mais atento revela letras verdadeiras, profundas, e entre confusos e alucinantes sintetizadores ela consegue passar claramente sua mensagem. Dance music sempre tem um karma de ter letras frívolas, cafonas ou bem idiotas, mas muita gente afoga suas mágoas mais profundas na pixxxta e esse é o cd perfeito para isso. E não só em estúdio ela foi destaque, já que na estrada ela foi uma das duas integrantes da maravilhosa turnê conjunta com Kelis All Hearts Tour. Depois das três partes lançadas e agrupados no cd “Body Talk” temos nas mãos um disco no qual cada batida, cada instrumento e cada frase não teria como ser melhor, uma obra-prima pop. We dance to THIS beat. Don’t Skip: o cd todo.

Robyn – Indestructible

(link) (Dancing On My Own) (Hang With Me) (Fembot)

Robyn – Dancehall Queen

(link)

 

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