Na primavera do ano passado uma loira com atitude de bêbada, cabelo sujo e um cifrão no nome aparecia na música pop com uma música sobre escovar os dentes com uísque e acordar se sentindo o P. Diddy em um single chamado “Tik Tok”. A música da novata virou hit e foi para o topo das paradas americanas, era o início da forte carreira de singles da cantora, que teve todas as suas músicas lançadas até hoje (cinco) no top 10 da Billboard com algumas chegando ao topo. Hoje em dia todo mundo sabe quem é a Ke$ha (não é Kisha nem Kêsha, é KÉSHA).
A gravadora esperta como é, deu um gás extra ao cd “Animal” relançando-o com um EP extra nomeado de “Cannibal“. Cheio de uptempos o disco de 9 faixas (8 inéditas) promete trazer pelo menos uns 3 hits para a apaixonada por glitter.
A abertura fica por conta da faixa-título “Cannibal” que como o próprio nome diz vai te comer vivo. Produzida pelo DJ Ammo é voraz e só lhe dá tempo para respirar na bridge antes do refrão explosivo. Ótima para ser cantada durante rituais de sacrifício humano. Como a Tre$ha sempre gosta de pesar a mão nas letras, nada como trocar a expressão “You’re on my ass” para se referir a alguém na sua cola por “now that you’re on my ANNUS“.
“We R Who We R” é um clássico da magia Ke$ha’s Party + Dr. Luke. Um electropop exatamente na fórmula de ouro dela, que obviamente rendeu um #1 instantâneo para ela assim que foi lançado. Nada de novo no que diz respeito a ela, mas é isso que a gente quer dela não é? Se quiser ouvir algo inovador pego o cd do Kanye West.
We R Who R (ao vivo no Jimmy Kimmel Live) (link)
Contrapondo a falta de novidade do primeiro single vem a urban “Sleazy” criada pelo meu produtor preferido Bangladesh, já falei muito dela aqui. Nunca imaginei que uma loirinha do interior do EUA ia conseguir fazer urbanpop com tanta propriedade. Essa faixa é de longe a melhor que ela já fez até hoje em sua curta carreira. Nada de glitter ou ou sou louquinha, só uma cantora cheia de atitude dizendo que não se deixa de levar com as tentativas dos pretendentes de impressioná-lo, tudo que ela quer é se divertir com as amigas (novidade hein?).
“Blow” à primeira vista não tinha me interessada, mas tem Max Martin no meio, e esse não dá ponto sem nó quando o assunto é música pop, ele consegue lhe viciar em qualquer coisa, hoje em dia sempre me pego cantando this place’s about to Blooooooo-O-O-O-O-O-O-O-owww-ow-ow. Também acredito que tem um grande potencial como single.
Para nossa sorte raramente a Tre$ha canta baladinhas (ainda bem!) e geralmente são para falar mal de algum homem, e assim como em “Stephen” do “Animal”, em “The Harold Song” ela volta a tocar no assunto de uma paixão antiga que de acordo com ela foi o único homem que ela já amou. E ela explicou na última edição da Complex, na qual ela foi a capa, sobre a música e porque coloca nome de homens em suas músicas:
“”Harold” is about the only guy I’ve ever been in love with — and our relationship didn’t work out, obviously. When I went to write it, I locked myself in a room and cried like a little bitch. I can’t even listen to it. But I wanted to do a vulnerable song because it’s a side of myself that people haven’t seen.”
“Oh yeah. He’s not getting away with a fake name. All men that date me have to know that their name may end up in a pop song. It’s the best revenge: you can’t get arrested for it, and everyone knows about it. And I like to be specific — I don’t want any of the other losers I’ve dated to think the song was about them.”
Só a Ke$ha mesmo para fazer isso. Depois do momento dor de cotovelo, a feel-good “Crazy Beautiful Life” fala da atual vida da cantora de festas e diversões. É leve e descompromissada, não é tão boa quanto o resto do material do disco, mas não atrapalha, dá pra ouvir sem achar ótima mas que também não é ruim. Após livin’ la vida loca Max Martin entra em cena com mais uma pérola do disco, a tosca “Grow a Pear”, e quando eu falo que é tosca é porque é boa. Ke$ha’s Party desce a lenha em um namorado que ela acha que tem ficado mulherzinha demais. Alguns versos dessa música já são clássicos: “I just can’t date a dude with a vadge.” , “When I first met you, panties droppin’… One day you asked if we could just talk and that’s the reason why I’m walkin’.” e a melhor de todas: “no, I don’t want to see your man-gina“, rs. Quem usa man-gina em uma música? Só a KeSha Sebert mesmo.
Até aqui tudo vai bem, mas “c u next tuesday” poderia ter ficado de fora. A faixa que vazou como uma demo há muito tempo atrás e de lá para cá não sofreu muitas alterações, totalmente insípida poderia ter ficado de fora do EP. Também não foi uma boa escolha para fechar o bloco das inéditas.
E terminando o disco de uma forma menos agitada e canibal, um remix dubstep produzido por Greg Kurstin para “Animal”. O Billboard Remix dá outra cara para a música, é uma delícia e parece até que tem vocais novos, se bem que é muito fácil manipular uma voz que é praticamente construída no auto-tune né?
Como um todo “Cannibal” é um excelente disco pop. A música dela é o típico som para se ouvir sem compromisso, só para se divertir mesmo. Enquanto a proposta dela for essa de ser tosca e não ligar pra nada além de fazer música sem profundidade para ouvir em festa ela vai ter os meus ouvidos e o do resto do mundo. O dia que ela quiser ficar engajada em alguma causa social ou quiser se levar a sério eu vou ser o primeiro a torcer o nariz, porque esse não é para isso que a gente precisa dela, ouço isso para todos, mas enquanto ela for pop, rasa mas muito divertida, no trabalho, na rua, na academia, em casa, na balada e em outras muitos lugares a Ke$ha’s Party não vai acabar.
Don’t Skip: “Cannibal”, “We R Who We R”, “Sleazy”, “Blow”, “Grow a Pear”.
3. Sleazy
4. Blow
5. The Harold Song
6. Crazy Beautiful Life
7. Grow A Pear
8. c u next tuesday
9. Animal (Billboard Remix)












Comentários